Olá
Tenho o péssimo hábito de me apaixonar, platonicamente, e sempre por
pessoas que considero belas.
Te vi pela primeira vez por acaso, por orkut. Desde então busco te
encontrar “acidentalmente”. Te observar mais de perto. Ver se meus
sonhos eram verdade. Infelizmente nunca são, ou felizmente. Depois de
pouco te ver, passei a perceber o quanto você é real e fiquei feliz
por isso, mas feliz em partes, pois não sei como te acessar. Uma série
de coisas me impedem disso. Minha vaidade, meu desejo de ser amado e
desejado por alguém, mas ao mesmo tempo, existeuma certa carência em
mim, um desejo de construir algo com alguém, e ao ver suas nuances e o
pouco de você me desperta uma vontade de arriscar, de ir além, mas ela
vive nos sonhos, e está difícil trazê-la para a realidade.
Não nego que, mesmo por toda essa pouca experiência, pelo fato de mal
termos trocados palavras pessoalmente, de minha histeria e
instabilidade aparente, penso em você todos os dias, e me assusta
muito isso. Me assusta saber que posso me entregar (e não estou
falando apenas de sexo) a alguém que de fato nem conheço. Há em mim um
desejo quase suicida de me lançar nos seus braços, e arriscar !
Arriscar e me perder ! Rezando para que disso possa ganhar algo.
Na noite passada fui para o mesmo ambiente que você, saberia que
estaria lá e também fui devido à uma ajuda sua. Estava fraco e um
tanto desmotivado, antes de lá chegar bebi muito em casa, mais do que
o indicado. Chegando ao fim da noite, te vejo com outro, fortemente
abraçado,românticamente abraçado, e me senti enciumado, o que me
deixou extremamente assustado, o que me fez ficar mais alguns poucos
minutos e ir para casa, para meu blog escrever. Me sentia frustrado,
um verdadeiro fracasso na vida em não ter tido coragem de ir falar com
você.
Espero apenas que um dia tenha coragem e possa te dizer nos olhos o
que realmente sinto por você.
Beijos que espero um dia dar de fato, Fernando L.
Sunday, 16 May 2010
Monday, 10 May 2010
07. Érica Suzumura
E você foi embora, de novo. Eu te mandei embora de novo. Mas, como nos nossos melhores dias, acompanhei com os olhos o seu carro até virar na pracinha. Como nos nossos melhores dias eu senti alivio, saudade, raiva de você. Queria que você fosse embora pra sempre. Queria que você voltasse.
Eu só quero continuar sendo um segredo, escondida aqui na minha caverna, protegida, salva, segura. Rindo alto, bebendo, me enchendo de amigos, roupas e maquiagem para disfarçar tantas coisas feias.
Te expulsei de novo, porque só você me conhece e sabe a droga que eu sou. Eu não sei encarar. Eu não sei pedir. Choro do nada. Eu não relaxo. Eu não durmo. Não faço minhas refeições à mesa. Eu fujo. Eu não confio. Me perco. Eu não me entrego. Minto. Eu jogo gente no lixo. Eu finjo que o mundo que te cerca me interessa muito, quando, na verdade, eu acho tudo uma grande merda.
E eu não quero mais que alguém que conheça tantos dos meus aleijões me abrace no meio da noite.
Há coisas que não se pede, nem se explica. Você acusa o meu silêncio, reivindica minha rendição. Mas sabe que eu grito muito mais aqui dentro desse meu oco, do que você no seu discurso redundante, virtuoso e dramático.
Não, você não é meu. E não, você não pode ficar.
Te mandei embora porque eu não sou covarde, mesmo que você chame coragem de paciência. Você fala em vazio, solidão, entrega. Sinto muito, mas cansou.
Eu amo desse jeito torto, feio, ausente. Eu sou um campo minado. Construi minhas trincheiras. Minhas gavetas estão trancadas demais, porque toda vez que eu as abro, vem alguém e bagunça tudo, quebram sentimentos, saqueiam partes de mim. E dói. E leva um tempão pra sarar.
Amo e odeio amar.
Eu verbalizo na sua cama, você sempre soube. A maior declaração de amor que eu posso te dar é um orgasmo e um beijo, você sabe! A felicidade que eu tenho pra te dar não está na calma; tá na cama. E te dou. Este é o momento em que o que eu sinto por você finalmente consegue ebulir, transbordar e vazar. E não foi isso que fez você se apaixonar? Eu falo com a pele, pernas, suor, peitos, dentes, saliva, odores, ossos, fluídos, músculos, cabelos, respiração; você sabe. Sempre soube.
Eu te amo e odeio amar.
Não quero te ver. Seu lugar é aí, do outro lado da rua. Não quero sonhar, nem acreditar. Te mandei embora porque a minha existência é pesada demais e eu não quero me resgatar. Porque eu sofro antes, durante e depois de te encontrar. Porque nosso passado é criminoso, nosso presente é medroso e o futuro me apavora.
Eu amo e não sei amar.
Um dia eu te fiz sorrir. Agora guardo esses nossos risos. Só.
Quer saber? Deixa pra lá... você sabe...
Érica Hissae Suzumura
Eu só quero continuar sendo um segredo, escondida aqui na minha caverna, protegida, salva, segura. Rindo alto, bebendo, me enchendo de amigos, roupas e maquiagem para disfarçar tantas coisas feias.
Te expulsei de novo, porque só você me conhece e sabe a droga que eu sou. Eu não sei encarar. Eu não sei pedir. Choro do nada. Eu não relaxo. Eu não durmo. Não faço minhas refeições à mesa. Eu fujo. Eu não confio. Me perco. Eu não me entrego. Minto. Eu jogo gente no lixo. Eu finjo que o mundo que te cerca me interessa muito, quando, na verdade, eu acho tudo uma grande merda.
E eu não quero mais que alguém que conheça tantos dos meus aleijões me abrace no meio da noite.
Há coisas que não se pede, nem se explica. Você acusa o meu silêncio, reivindica minha rendição. Mas sabe que eu grito muito mais aqui dentro desse meu oco, do que você no seu discurso redundante, virtuoso e dramático.
Não, você não é meu. E não, você não pode ficar.
Te mandei embora porque eu não sou covarde, mesmo que você chame coragem de paciência. Você fala em vazio, solidão, entrega. Sinto muito, mas cansou.
Eu amo desse jeito torto, feio, ausente. Eu sou um campo minado. Construi minhas trincheiras. Minhas gavetas estão trancadas demais, porque toda vez que eu as abro, vem alguém e bagunça tudo, quebram sentimentos, saqueiam partes de mim. E dói. E leva um tempão pra sarar.
Amo e odeio amar.
Eu verbalizo na sua cama, você sempre soube. A maior declaração de amor que eu posso te dar é um orgasmo e um beijo, você sabe! A felicidade que eu tenho pra te dar não está na calma; tá na cama. E te dou. Este é o momento em que o que eu sinto por você finalmente consegue ebulir, transbordar e vazar. E não foi isso que fez você se apaixonar? Eu falo com a pele, pernas, suor, peitos, dentes, saliva, odores, ossos, fluídos, músculos, cabelos, respiração; você sabe. Sempre soube.
Eu te amo e odeio amar.
Não quero te ver. Seu lugar é aí, do outro lado da rua. Não quero sonhar, nem acreditar. Te mandei embora porque a minha existência é pesada demais e eu não quero me resgatar. Porque eu sofro antes, durante e depois de te encontrar. Porque nosso passado é criminoso, nosso presente é medroso e o futuro me apavora.
Eu amo e não sei amar.
Um dia eu te fiz sorrir. Agora guardo esses nossos risos. Só.
Quer saber? Deixa pra lá... você sabe...
Érica Hissae Suzumura
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